O Velho e o Novo

Tenho a intenção de viver uma vida fulgurante, efervescente, com novidades e sensações a cada momento. Quero ser testado e passar no teste. Quero ser aclamado, justamente, por aquilo que eu faço. Por isso devo fazer algo que seja bom, que não somente seja aprovado pelos outros, mas, principalmente, por mim mesmo. E como eu gosto de causar forte impressão, tem de ser algo que quebre barreiras, que derrube o velho, o antigo, o inútil e o apodrecido. Não é que eu não goste de tradições. Eu gosto, respeito e aprecio tradições quando elas se mostram úteis a nossa vida atual. Tradições e costumes devem ser sempre muito bem avaliados. Há tantos costumes que não se justificam mais e, pior, muitos são terrivelmente nocivos ao bem estar de todos. Eles carregam um significado ultrapassado, uma razão de ser que não mais se aplica, e que só se mantém porque se adicionou um preconceito à antítese desse costume, desenvolveu-se um julgamento negativo.

Muitas vezes vi-me “sanduichado”, espremido, entre o velho e o novo. Julgado duramente pelo velho, forçado a viver como o velho. Instigado, desafiado, pelo novo, chamando-me para a nova experiência, para a nova prática, a nova forma de pensar. O que o velho traz de experiência, de comprovação de certas práticas e de condenação de outras, o novo traz de inovação, de criação, de frescor, de inocência, de ingenuidade.

Precisamos de ambos, o velho e novo. A dificuldade está em decidir que direção tomar. Que direção tomar?

Se seguirmos o antigo, repetiremos padrões e caminhos há muito trilhados, por tantas outras pessoas antes de nós. Haverá dicas e conselhos para se seguir, prevenções do que pode acontecer. O caminho poderá ser muito previsível, se todos os seus passos já serem vistos antecipadamente, traçados precisamente.

Se seguirmos o novo, estaremos indo em direção de uma fantástica aventura, cheia de mistério, de descoberta, de aprendizado, totalmente diferente do que já foi visto. Seremos surpreendidos a cada passo, a cada esquina. Teremos de agir e reagir no momento em que as coisas acontecem, da melhor forma que pudermos. Qualquer coisa pode acontecer, boa ou ruim.

Talvez se possa conciliar o velho com o novo. Talvez, o velho tenha de passar pelo filtro do presente, pelas necessidades atuais. E o novo, por sua vez, provavelmente deva passar pela sabedoria do velho, para que não se perca no caminho, para atestar que o novo é sim algo que acrescentará e melhorará aquilo que já é sabido ser bom. Nem sempre isso é possível, pois o velho tende a ter uma estrutura muito rígida, muito estabelecida, enquanto o novo é naturalmente livre, maleável, adaptável. Saber utilizá-los na hora certa, para o propósito correto, é um dos grandes desafios daqueles que buscam viver sempre com o frescor e a sensação de vida efervescente, sem perder a rica sabedoria dos antigos.

Se junte à conversa

3 comentários

    1. Sim, boa analogia! O velho e o novo soam como uma “linha”, o que é uma má metáfora para o tempo. É somente como a maioria das pessoas vêem o tempo. Já a roda, tem um aspecto “pendular”, digamos assim, mais característico do tempo.
      Grato!
      Obs.: Volte sempre 🙂

      Curtir

  1. Legal, interessante!

    Durante o texto, me perguntei o que seria exatamente o velho e o novo…

    Desde a semana passada eu tenho tentado passar a velha rotina com novos pensamentos, uma maneira de viver melhor o presente.

    Abraço!

    Curtir

Deixe um comentário

Deixe uma resposta para Tiago Mazzon Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: