A Ciencia Moderna e sua Visão Estreita

Antes de prosseguir na jornada para os mais recônditos lugares da existência, faz-se necessário  expor a realidade dos fatos. O conhecimento humano e o modo como ele é construído hoje em dia, suas falhas e indisciplina, e também o que creio que deveria ser feito para realmente haver uma mudança na forma como geramos e aplicamos conhecimento.

A Ciência busca conhecer as coisas através da experimentação. Seja testando teorias empiricamente, seja criando leis pela observação, a Ciência moderna se diz conhecedora última e verdadeira das forças regentes do Cosmos, e que tudo o que estiver fora das leis por ela escritas e administradas, não são verdades comprovadas e, portanto, não podem ser consideradas como parte da realidade.

Em outras palavras, tudo o que não foi testado através da repetição, tudo o que não pode ser reproduzido seguindo fórmulas ou algoritmos precisos, tudo o que não pode ser facilmente observável e dedutível através de raciocínio lógico, são simplesmente efeitos esporádicos ou simples eventos ocorridos ao acaso. Ou talvez loucura do observador. Ou loucura coletiva…

É como se algo pudesse “escapar” das leis da natureza e do universo, gerando fatos aleatórios e inexplicáveis, e que devido à “soberania” do pensamento científico moderno, a própria natureza devesse se curvar. Isso é, obviamente, ridículo, considerando que a Ciência Moderna é uma instituição humana. Criada a partir do pensamento humano, com vistas à organização das idéias e observações humanas, e ao entendimento do funcionamento do Cosmos em toda a sua magnanimidade. Infelizmente, não é o que têm ocorrido.

A Ciência é, antes de tudo, uma interpretação humana das leis da natureza. Como dito acima, se seguisse suas próprias normas e diretivas mais básicas, deveria se curvar perante as leis do universo; perante os eventos que ocorrem na natureza, do macro ao microscópico, do físico ao abstrato. Porém, o que têm acontecido é que fenômenos observados e experimentados por milhares de pessoas desde a mais remota antiguidade “escapam” do que é comumente “aceito” pela Ciência, e, portanto, são simplesmente descartados do que pode ser considerado como real. E eu que achava que a Justiça que era cega…

O dilema por trás desse fato é que, para determinados eventos, as premissas da Ciência não se aplicam.

Alguns exemplos:

  • Como repetir uma experiência extra-corpórea exatamente igual com todos os detalhes, e passar essa percepção para os pesquisadores?
  • Como comprovar a obtenção de informação pré-cognitiva, por exemplo, através de canalização de espíritos ou de mediunidade?
  • Como provar às Academias e Universidades de que somos compostos por espíritos imortais, sendo que ainda não há aparelhos que possam medir as faixas de frequência sutis imanadas de nossos corpos áuricos?

Entre tantos outros exemplos que se acumulam, de todos os povos e de todas as culturas, desde a mais remota antiguidade… Desde o início, na verdade.

Há diversos fatores que impedem que o método científico desvende os mistérios por trás desses eventos:

  1. Ceticismo. É impossível provar algo partindo da mentalidade que é impossível tais fenômenos existirem. Infelizmente, é com essa mentalidade que os estudos e experimentos em áreas metafísicas são realizados. Levando-se em conta que o nosso pensamento cria a nossa realidade, quem busca a verdade através de uma mentalidade totalmente duvidosa não obterá o que busca. Em vez disso, somente receberá o que espera: mais duvidas nos fenômenos ou mais certezas na não-existência dos mesmos.
  2. Percepção e Teclado Sensorial. Os sentidos humanos são limitados. Porém, é incorreto achar que a natureza é somente aquilo que podemos perceber. Seria o mesmo que dizer que o ar não existe, pois não podemos enxergá-lo. Entretanto, há infinitas faixas de frequência vibratória, sendo que a percepção humana é apenas uma pequena tecla nesse imenso teclado vibratório. É claro que graças aos avanços em aparelhos e detecção de ondas, somos capazes de “ver” raios-x, raios gama, microondas, ultra-violeta, entre outros. Mesmo assim, estamos um tanto quanto longe de conseguir detectar todos os tipos de onda do universo.
  3. Reprodutibilidade. Experiências metafísicas ocorrem e são percebidas de acordo com o universo simbólico de cada pessoa. Impossível generalizar algo tão específico sem haver perdas massivas de dados, ou falha em testar hipóteses em X números de pessoas, por cada uma possuir uma coleção diferente de valores, símbolos e modo de pensar.

Fica perceptível a dificuldade com que deparamos ao tentar colocar nos moldes ditos “científicos” algo dessa natureza.

Alguém afirma enxergar espíritos. Como provar? Falta aparelhagem. Falta detecção.

Alguém diz que pensamento positivo funciona. Como provar? Podemos apontar para o fato de que ele é bem sucedido naquilo que faz. Mas daí os cientistas poderiam dizer que qualquer um pode ser bem sucedido, desde que seja esperto. E as premissas são ignoradas.

Milhares e milhares de cartas psicografadas. Milhares de consultas espirituais. Tudo simplesmente ignorado, pois entram no problema da Reprodutibilidade. “Impossível confirmar os dados obtidos assim”, afirmam.

Creio sinceramente de que o grande problema da Ciência seja a crença no modelo de Realidade Objetivo, sendo que esses fenômenos só podem ser compreendidos e observados através do modelo de Realidade Subjetivo.

“Ver para Crer” quando na verdade deveriam “Crer para Ver”.

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13 comentários

  1. Ou o “crer para compreender, compreender para crer” de Sto. Agostinho. A verdadeira crença não vem com a simples visão, mas com a compreensão. A maioria, então, vê mas não enxerga. Já outros enxergam o que ninguém pode ainda ver.

    Abs
    raph

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  2. Caro Tiago,

    Entendo suas colocações. Contudo, como cientista e pesquisador, e também alguém que crê (e já experimentou) existir mais do que nossos olhos ou aparelhos possam detectar, preciso dizer que a Ciência em si, o ato da interpretação humana de fenômenos naturais que podem ser observados de acordo com um padrão ou constância previamente estabelecida, não tem nada de errado.

    O fundamental está no pensamento humano tipicamente Ocidentalizado o qual, nós, neste caso, estamos imersos. Senão vejamos: a China estimula a prática do Tai-Chi-Chuan a muitos e muitos anos, como atividade física necessária e que traz benefícios para saúde. Aos olhos Ocidentais, como uma prática física aparentemente com uma exigência tão baixa e de tão baixo impacto pode trazer benefícios? Isso para não falar de outras como Chi-Kung, receitas de remédios baseadas em ervas, acupuntura, entre outras.

    Salvo engano, no Nepal, existe o ministério da Felicidade. Um povo que vive com muito, muito menos e é provavelmente mais feliz que a grande maioria dos povos Ocidentais com todas as maravilhas tecnológicas que possuímos.

    Não há problema em a Ciência ser objetiva. Pelo contrário, este tipo de pensamento permitiu avanços nas mais diversas áreas, no Ocidente. A Ciência com um viés subjetivo ainda é muito recente no Ocidente. E nem tanto no Oriente.

    Evidentemente que ainda buscamos uma forma mais clara de conciliar o subjetivismo ou os resultados científicos orientais com o pensamento científico Ocidental.

    Será que o fato de ser subjetivo, não é o que permite que cada um busque a sua iluminação? Se assim não fosse, poderíamos ter alguns problemas creio eu.

    Acho que a Ciência não é a vilã. Os homens que a conduzem possuem mais ou menos caráter como em qualquer outro ramo conhecido. Acredito que cada coisa venha a seu tempo e a nossa impaciência, devido a efemeridade da nossa existência dificulte a nossa compreensão do todo.

    Respeitosamente, discordo. Agradeço pela ótima oportunidade que seu texto possibilitou para que possamos discutir e buscar cada vez mais iluminação.

    Abraços!

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    1. Seria bom se houvesse mais cientistas como você, meu caro 🙂

      Obrigado pela sua contribuição. Realmente, eu não quis que o texto ficasse com teor ofensivo. A minha intenção foi a de apontar a falta que faz um temperamento mais subjetivo à Ciência Moderna. Como você mesmo disse, esse tipo de abordagem ainda está engatinhando no Ocidente, e ainda há imensa resistência quanto às antigas escolas de pensamento orientais, ou mesmo às formas de pensamento ocultista/esotérico.

      Verdadeiros cientistas mantém as hipóteses sempre abertas até o ponto em que essas hipóteses são 100% invalidadas, momento este em que a hipótese cogitada é retirada do conjunto. O que geralmente se vê é uma "xenofobia ideológica", por falta de termo melhor, em que qualquer hipótese de solução ao problema que pareça oposta ou "bizarra" ao "senso comum", é imediatamente descartada…

      A Ciência não está errada. Naquilo que ela se propõe fazer, ela faz bem. Mas há tanto mais para se explorar! Alguns aplicadores da Ciência insistem em se fechar nas suas verdades estabelecidas, ao invés de considerarem que nenhuma "verdade" é estabelecida, por mais que se lute em mantê-la fixa e inalterada. Essa é uma lição que, cedo ou tarde, todos teremos de aprender.

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  3. Thiago,

    Não sei se você conhece, mas p IIPC (Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia) é uma organização científica – sendo a conscienciologia uma vertente da psicologia – que estuda seriamente e sem dogmas a espiritualidade, a multiplicidade de consciência e de planos. São pesquisas sérias realizadas em ambientes controlados e que tem oferecido muito material científico que comprova as teorias espiritualistas.

    O problema é que não é muito divulgada pelo preconceito da comunidade científica. Portanto como pode ver há muitos cientistas se empenhando também na tarefa de trazer iluminação, mesmo que a mentalidade vigente seja essa mesma que você colocou no post.

    Se tiver um tempo visite a página deles: http://www.iipc.org/

    Abraços

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    1. Sim, eu já conhecia o IIPC há algum tempo. Realmente, eles fazem um ótimo trabalho, com consciência e integridade. Gostaria muito que eles fossem mais ouvidos e tivessem mais respeito no meio acadêmico. Creio que isso seja só uma questão de tempo.
      De fato, qualquer pessoa que tenha um caráter investigativo, que faça experiências para testar hipóteses e teorias, pode ser considerada um cientista. Então, sim, os cientistas a que me refiro no texto são aqueles que se fecharam em seus universos pessoais, impedindo a entrada ou saída de qualquer idéia, dificultando a evolução humana nas mais diversas áreas.

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      1. “Então, sim, os cientistas a que me refiro no texto são aqueles que se fecharam em seus universos pessoais, impedindo a entrada ou saída de qualquer idéia, dificultando a evolução humana nas mais diversas áreas.”

        mas pense, p/ uma pessoa querer estudar algo, além de conhecer a área, tem que haver uma hipótese de que aquilo que quer estudar/comprovar possa estar certo, se uma pessoa não acredita em unicórnios não tem pq querer sair em busca de que eles existem ou já existiram.
        Se não há tecnologia p/ provar o que tu te referes, quem pensa que isso está certo e pode ser comprovado é quem tem que ir atrás de desenvolver esta tecnologia!

        Vamos supor que uma pessoa saiba o que acontece com ela e tenha uma ideia do que seria útil p/ mostrar isso aos outros. Não há como esperar que o que esta pessoa sinta venha ser comprovado ou identificado plenamente em tecnologias que não foram projetadas p/ isso. Ou seja, o máximo é conseguir um mapeamento cerebral ou um artigo de antropologia ou psicologia. O que fazer? Quem acredita adentrar ao mundo das ciências e ir atrás de provar isso.

        “É impossível provar algo partindo da mentalidade que é impossível tais fenômenos existirem.”
        Essa descrição de ceticismo está em partes equivocada. A primeira parte é como falei antes, quem tem que ir atrás de prova, de desenvolver tecnologia, é quem acredita e quem diz passar por tais fenômenos. Mas céticos não partem do “é impossível” e sim do “não há evidências de que exista”. E isso não é ser impossível. Pq se, vamos supor, algum cientista prove algum fenomeno, o cético irá analisar aquilo, comparar com outras coisas, e o “não há evidências” será substituido por “há evidências”. Ser cético NÃO significa “me recuso a acreditar sob qualquer circunstância” e sim “as circunstâncias atuais não me permitem acreditar nisso, embora tudo pode mudar”.
        Todo cético científico sabe que ausência de evidência não é evidência de ausência, parafraseando Sagan.

        Outra coisa que me lembrei agora, muita gente tá colocando muita expectativa sobre a mecânica quântica, entretanto, se o “seu” fenômeno não é físico a mecânica quantica não vai ajudar em nada. Por exemplo, mente é abstrato, não adiantou estudos quanticos p/ “ver a mente”, ela é abstrata e vai continuar sendo.

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  4. Pelo fato das pessoas falarem que veem espiritos, isso significa que e verdade? Eu posso afirmar que vejo um, mas como comprover q n vejo? Impossivel, mesma coisa acontece com os tais falsos profetas com milhares de seguidores. Se caso vc n acredita significa que vc esta fechada para esse mundo. Mas o blog e bom, valeu

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