A Arte da Comunicação

Estive pensando em como abordar os textos que escrevo, se deveria ser mais próximo do leitor, mais pessoal, de caráter mais amigável e mais íntimo, ou se deveria ser mais impessoal, mais frio, de caráter “acadêmico-científico” e, portanto, mais distante. Acho que as duas abordagens têm suas utilidades, benefícios e malefícios. Mas creio que ambas sejam faces opostas de uma mesma moeda.

Há outras dúvidas inquietantes que tenho, uma delas sendo qual é a melhor forma de abordar os assuntos aqui tratados. Afinal, qual a melhor maneira de se dirigir a um público? Ainda mais um público tão imprevisível e tão diversificado como o da internet? Além de ter de demonstrar o meu ponto de vista, tenho que considerar a mensagem que quero passar, e de que forma quero atingir meus leitores.

Tenho o ímpeto de mostrar minha visão de mundo aqui, mas não sei se deveria abordar de forma unicamente racional, citando referências… ou se deveria apelar para o lado mais emocional. Ou se deveria tentar de uma forma totalmente nova.

Considerando-se o que foi dito no texto Ensaio dos Componentes do Homem, tentar convencer uma pessoa através de apenas uma de suas “camadas” é correr o risco de não ser compreendido. Por exemplo, é bastante comum observar alguém tentando demonstrar ou convencer outrem sobre algum conceito abstrato, utilizando-se para isso de lógica, de evidências empíricas ou de experiências científicas. A dúvida que surge é: qual a margem de sucesso nessa tentativa? Eu diria que relativamente baixa. Há pessoas muito mais emocionais do que lógico-racionais, assim como há também pessoas muito mais espirituais que racionais ou emocionais, e também há aquelas que tendem mais para o lado físico/sensorial. Fica difícil de se dirigir para todos os tipos de pessoas ao mesmo tempo, numa mesma mensagem. Seria necessário várias mensagens de diversos tipos para ter boas taxas de sucesso.

Além do dilema da forma de transmissão, há também o do conteúdo abordado. Conceitos extremamente físicos podem ser facilmente transmitidos através de linguagem física… cinestésica; utilizando-se de descrições obtidas pelos nossos cinco sentidos físicos. Acontece que nem todas as experiências que temos em nossas vidas podem ser classificadas dentro desse tão pequeno universo sensorial quíntuplo. Há muito mais.

Acho que o ideal ao abordar um assunto abstrato seja citar exemplos nas 4 grandes áreas de inteligência/percepção do homem, dessa forma teríamos certeza de que toda a nossa audiência estaria ao menos compreendendo o conceito que estamos tentando passar.

A partir daí, e somente daí, quando nossos interlocutores estarão mais ou menos no mesmo nível de entendimento do assunto, e eles poderão decidir a validade do mesmo. Nesse ponto é possível de se ter uma discussão saudável e construtiva.

Há autores que têm a habilidade de transmitir com bastante precisão conteúdos físicos, outros que passam melhor um conteúdo emocional; muitos conseguem transmitir conteúdos lógico-racionais, e pouquíssimos conseguem transmitir conhecimento espiritual. Todos esses tipos de conhecimentos podem ser transmitidos através da escrita, embora em alguns casos seja mais eficiente usar imagens e sons.

Desenhos, Pinturas, Esculturas, Arquitetura, Música, Dança, Cinema… as artes são formas de expressão e de comunicação. São a expressão dentro dessas grandes áreas da psique humana em plena ação.

As artes nada mais são do que a livre expressão de seres humanos, que trazem à tona o que está nos seus corpos ou lá dentro de suas mentes, corações, e espíritos (ou consciência, ou identidade, ou ponto ID, ou qualquer outro nome que se queira dar).

É por esse motivo que os artistas atraem os mais diversos tipos de público. Cada artista gera, através de sua criatividade, de seu talento e de muito treino, conteúdo focado para determinados(as) sentimentos (coração), pensamentos (mente), sensações (corpo) e conexões (espírito). As artes são o solo fértil de expressão e troca de informações, enriquecendo a existência de cada pessoa que participa daquela criação.

É claro que há comunicações bem mais triviais, menos trabalhadas e menos criativas, que também são importantes, mas que não criam o mesmo tipo de ligação. Notícias, transações comerciais, acordos jurídicos, discussões familiares, entre tantas outras, são comunicações estabelecidas nas mais diversas áreas da vida humana, mas que geralmente não levam em consideração todos esse conceitos de interação entre os variados tipos de seres humanos e seus níveis de consciência.

Acho que haveria uma grande melhora em todos esses campos se esses conceitos fossem utilizados. O famoso mas tão pouco usado “Saber ouvir”, que significa não apenas ter seus ouvidos abertos e atentos, mas também ter toda a sua atenção, todos os seus sentidos voltados para a absorção e compreensão da mensagem sendo transmitida a você. Isso, somado ao poder da transmissão “MultiCanal”, como podemos chamar essa transmissão nas 4 camadas relativas do ser humano, teria o potencial de resolver a maioria das más interpretações, das más relações humanas, seja nos âmbitos familiar, artístico, empresarial, político e social. A base para as boas relações humanas está na boa comunicação. Falar e ser ouvido, Agir e ser notado, Expressar e ser compreendido… um grande passo para o bem estar de todos 🙂

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3 comentários

  1. Eu também penso muito sobre isso, como tenho uma tendência a escrever de forma mais poética e subjetiva, tento balancear meus textos com informações puramente científicas. Nas séries de artigos que escrevo, sobre um determinado tema, acabo iniciando na descrição física-objetiva e muitas vezes termino numa abordagem bem mais espiritual-subjetiva. Acho que fiz isso meio sem querer, só percebi depois de analisar posteriormente como quase todos seguiram esse padrão…

    Em todo caso, ninguém melhor do que John Galsworthy para exprimir o máximo de poesia e sensações dentro de um texto, um conjunto de símbolos que ele chamava, sabiamente, de "cascas de sentimento":
    http://textosparareflexao.blogspot.com/2009/12/ve

    Eu volta e meio releio esse texto, que tentei traduzir da melhor forma possível… É uma aula de escrita do início ao fim 🙂

    Abs
    raph

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